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No ténis, o lob é uma pancada de recurso. No padel, o globo é a pancada mais importante do fundo do campo. A razão está na geometria do jogo: a dupla na rede ganha a maioria dos pontos, e só existe uma forma fiável de a desalojar, fazer passar a bola por cima dela. Um bom globo obriga os dois adversários a recuar; enquanto recuam, a sua dupla avança. Os papéis invertem-se numa só pancada.
Este guia dá seguimento ao nosso guia sobre o vólei: passamos para o outro lado, o da dupla que defende.
Porque é que o globo é central no padel
O vidro do fundo muda tudo. No ténis, um lob demasiado curto é rematado e um lob demasiado comprido sai. No padel, um globo um pouco comprido ressalta e depois toca no vidro, e o adversário tem de o jogar na saída de vidro, de costas para a rede ou quase. Um globo um pouco curto, se for suficientemente alto, obriga mesmo assim o jogador na rede a recuar e a jogar uma bandeja em vez de um remate. A margem de erro é, portanto, mais larga do que no ténis, e o globo torna-se uma pancada de construção, não um último recurso.
Veja qualquer final do circuito profissional, como a do Paris Major 2026: as duas duplas passam grande parte das trocas de bola a fazer globos para recuperar a rede e a responder ao globo com uma bandeja para a manter.
Os três globos do padel
O globo defensivo
Alto e lento, procura ganhar tempo. Está em dificuldade, longe da bola ou encurralado num canto: envia-a muito alto, para o fundo adversário, para ter tempo de se recolocar. A altura compensa a falta de velocidade. É o globo do iniciante, e chega para ganhar muitos pontos a esse nível.
O globo de ataque
Mais tenso, logo acima do alcance da raquete adversária, procura surpreender. O jogador na rede não tem tempo de recuar: tem de se virar e correr. Joga-se muitas vezes com efeito liftado, o que o faz cair depressa depois do ponto mais alto da trajetória e ressaltar mais rápido em direção ao vidro. É mais arriscado: se sair baixo demais, é rematado.
O globo depois do vidro
A bola ressaltou e tocou no seu vidro do fundo; apanha-a na saída de vidro e devolve-a em globo. É a forma mais confortável de fazer um globo, porque a bola vem na sua direção e tem tempo para colocar a raquete por baixo dela. É também, como explicámos no nosso guia sobre a resposta ao serviço, uma das melhores respostas ao serviço.
O gesto, passo a passo
A preparação
Coloque-se por baixo da bola, ou ligeiramente atrás dela, recuando se for preciso. O globo joga-se quase sempre de direita ou de revés com a pega continental, a mesma do vólei. Dobre os joelhos: é das pernas que virá a altura, não do braço.
O batimento
A face abre-se para o céu e o gesto vai de baixo para cima, acompanhando a bola. Bata por baixo da bola, à frente do corpo, e depois empurre para cima esticando as pernas. Num globo defensivo, mantenha a face muito aberta e o gesto lento. Num globo de ataque, feche um pouco a face e escove a parte de trás da bola de baixo para cima para lhe dar efeito liftado.
O acompanhamento
Termine com a raquete alta, acima do ombro, na direção da bola. Um acompanhamento encurtado dá um globo curto, o erro mais frequente.
A subida à rede
O globo só é útil se avançar atrás dele. Assim que vir que a bola passa por cima dos adversários e os obriga a recuar, suba com o seu parceiro. Se o globo for curto e o adversário puder rematar, fique no fundo e prepare-se para defender.
Para onde apontar
| Alvo | Porquê |
|---|---|
| Por cima do jogador com o remate mais fraco | Terá de jogar uma bandeja, ou recuar |
| O lado do revés do adversário | Rematar de revés é difícil, ele jogará uma bandeja |
| O centro, em profundidade | Hesitação entre os dois adversários, ângulos reduzidos para a resposta |
| O canto do fundo, perto do vidro lateral | A bola toca em dois vidros e volta de forma menos previsível |
Aposte antes de mais na profundidade: um globo que cai a um ou dois metros do vidro do fundo obriga o adversário a recuar ou a jogá-lo depois do vidro. Um globo que cai a meio do campo, à altura da linha de serviço, é um remate oferecido.
O lado do revés é um alvo clássico. Para um destro colocado à esquerda, um globo que passa por cima do seu ombro esquerdo obriga-o a um remate ou a uma bandeja de revés, duas pancadas difíceis.

Defender contra o globo
Se for você, na rede, a ver a bola passar por cima da cabeça, tem três opções:
- Jogar uma bandeja ou uma víbora se a bola não estiver demasiado alta nem demasiado longe: uma pancada de controlo que mantém a rede. O nosso artigo sobre a bandeja, a víbora e a chiquita explica como se jogam estas pancadas.
- Rematar se o globo for curto e estiver bem colocado; veja o nosso guia sobre o remate no padel.
- Recuar e deixar a bola tocar no vidro se estiver demasiado alta ou demasiado longe: joga-a na saída de vidro, muitas vezes com um globo seu.
Nos três casos, o seu parceiro acompanha os seus deslocamentos: se recuar, ele recua também.
Os erros mais comuns
- Fazer globos curtos. Um globo que cai a meio do campo é rematado. Aposte na profundidade.
- Fazer o globo sem avançar. Se a sua dupla ficar no fundo, o globo só serviu para adiar o problema.
- Bater com o braço. O globo vem das pernas; um braço rígido produz um globo curto e plano.
- Fazer um globo quando o adversário já está no fundo. Se ele não estiver na rede, o globo oferece-lhe uma bola alta para atacar.
- Fazer um globo com vento de frente sem compensar. A bola cai curta: bata mais alto e mais longo.
Que raquete para fazer bons globos?
O globo é uma pancada de toque: é preciso sentir a bola para dosear a altura e o comprimento. Uma raquete tolerante, com tempo de contacto suficiente, ajuda mais do que uma raquete potente. A SCUD Wood W1, com a sua espuma EVA soft e fibra de vidro, dá muita sensibilidade; a SCUD White S3, com o seu carbono 12K tolerante, acrescenta comprimento sem perder esse toque. Para perceber o que a espuma muda no doseamento, leia o nosso artigo sobre as espumas EVA e FOAM.
Em resumo
- O globo é a única forma fiável de desalojar uma dupla instalada na rede.
- O vidro do fundo dá uma margem maior do que no ténis: um globo um pouco comprido continua eficaz.
- Aponte para a profundidade, para o lado do revés ou para o jogador que remata pior.
- O gesto vem das pernas: face aberta, batimento por baixo da bola, acompanhamento alto.
- Depois de um bom globo, suba à rede com o seu parceiro.
Perguntas frequentes
Quando se deve fazer um globo no padel?
Quando os dois adversários estão na rede e você está no fundo. O globo obriga-os a recuar e permite-lhe ocupar o lugar deles. Se os adversários já estiverem no fundo, o globo não tem interesse.
Como fazer um globo que não seja rematado?
Jogando-o suficientemente alto e comprido para que caia perto do vidro do fundo. Aponte também para o lado do revés do adversário: um remate de revés é difícil, por isso ele jogará antes uma bandeja.
O globo deve tocar no vidro do fundo?
Não é um objetivo em si, mas um globo que ressalta perto do vidro obriga o adversário a jogá-lo na saída de vidro, de costas para a rede. Muitas vezes, isso chega para recuperar a rede.
Deve fazer-se o globo de direita ou de revés?
Das duas formas. O globo joga-se com a mesma pega continental do vólei, e o essencial do gesto vem das pernas. Trabalhe-o dos dois lados, porque o adversário vai apontar ao seu ponto fraco.
O que fazer se o meu globo sair curto?
Fique no fundo e prepare-se para defender o remate: afaste-se do vidro do fundo para dar espaço à bola para ressaltar e jogue-a na saída de vidro.
O globo levou-o da defesa ao ataque: falta saber fechar o ponto. É esse o tema do nosso guia sobre o remate no padel.














